sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Retorno da Garoa e a Consulta da Morte

Eras tu igual a mim, tempo e espaço nos mudaram
Mas há o amor, o verdadeiro.
Me parece que é um sentimento infindo, que nunca se sobressalta mas que lá sempre existe, de querer ver você feliz.
É como se eu soubesse da sua dor
Como se compartilhássemos ela, e talvez seja isso.
Vai pra mais de um ano que a chuva cessou, mas chuvas sempre voltam
E que sejam chuvas
Cansei de tempestades
A chuva alimenta, o caos destrói
E chega de destruição para nós.
Tantas vezes decodificando a matemática do auto-flagelo
Após tanto respirar a auto-sabotagem,
Depois de tanto se iludir com auto-salvação

Chega.

Se nada mais restar existe o consultório
Aquele aonde a morte se consulta
Pois sua saúde é importante
E seu médico é especialista

Diz ele que ambos sofrem de medo
Ele dela, ela de si
E então prescreve drogas para doenças que não se remediam
E ficam os dois contentes no santuário
Relaxando enquanto a fala faz efeito
A fala da droga e a droga que é fala
Drogando, exaurindo o torpor
Entorpecendo, camuflando a dor

Sou Temor, paciente impaciente, querendo falecer
Vivendo o pavor de viver
Morrendo de amor por morrer
Indo me reabilitar da reabilitação que fiz e me fez infeliz

Mas Dr. Carlos não desistiu de mim
E creio eu já estar precisando de mais doses
Por que para nós, ficam os pequenos momentos do mundano
Mas não fique perplexo se eu não citar o complexo
A chuva cessou, e já vai pra mais de um ano...