quinta-feira, 11 de abril de 2013

Gotas


Eu não ando escrevendo, nem lendo, nem vendo
Ando trabalhando, tirando todo conteúdo de interesse
Da minha pessoa.
Lembro-me quando te perguntei
"Por que gostas de mim? Que que eu faço pra te deixar assim?"
E agora sinto ódio por ter te deixado não me responder

Como que esses papéis se trocaram tão rapidamente?
Será mudança na situação estagnada?
Será perduração da situação mutante?
Meu semblante não esconde mais nada,
Já não fujo do peso da mente
Já não fujo da agonia gritante

Acordar pra viver sem viver e acordar
Andar por aí, como um zumbi zumbizando

Eu e você à zumbizar...

Conto-lhe, chorei. E chorei com pena
A morte do vivo e o esquecimento do antes morto
Serena mudança na vida, princípio com ideal torto

Me enforco, não aguento e sustento sem foco
O podre pensar que mastiga a juventude
Me instiga, magnitude de sentir que não troco
Talvez se eu trocasse eu tomasse atitude

Enquanto eu não tomo, viro mais um copo.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Parte 1 de um texto de três partes


Estou abatido.
Sei lá por que...
Na verdade, são tantos porque's que virou um sei lá
Como pode alguém que não se alimenta a mais de trinta horas,
Vomitar por duas?
Que que há de errado?
Até o físico está reclamando.

Olha essa mão, olho essa mão
Meu olho na mão
Eu fecho a mão, eu abro a mão
A mão é minha, eu mando na mão

Olha essa mente, olho essa mente
Meu olho na mente
Eu fecho a mente, eu abro a mente
A mente é minha, mas não mando nela não.

Grande confusão
Será que de fato estou criando algo que não existe?
Alimentando um algo que não existe?
Me fazendo de algo que não existe?

Por que que tudo tem que virar penitência?
Na teoria, se fuder faz parte do jogo
Mas para aprendizado, e não consistência no erro.

Olha essa vida, olho essa vida
Meu olho na vida
Eu quero a vida, eu não quero a vida
A vida é minha.
Não, não é não.

Parte 2 de um texto de três partes


Estranho esse lance de pertencer.
Cadê eu te possuindo?
Cadê você insistindo,
Que eu nunca vou te perder?

Fui eu ou foi você?
Quem foi que dominou minha cabeça?
O corpo sedento de noção quer saber
Antes que a alma esmoreça e pereça
E a defesa desaqueça
Há muito não consigo me entender...

Será que foi o passado, ou algum tombo?
Poderia algo que vem para ensinar,
Prender?
Travar?
Pesar como o mundo nos ombros?

Eu juro que eu te amo
Mas não acredito no amor
Mas não acredito em mim

O teu nome eu chamo, clamo
A morte chegará ao Temor, esperamos...
E pra toda essa dor, colocar funesto fim.

Parte 3 de um texto de três partes


Desisto de mim

Todo espaço de tempo no tempo-espaço
Parece comprimir meu presente
Nesse pedaço de carne impotente
Dando ao passado e futuro maior importância

Pensar no momento, me gera cansaço
Cabeça pesada com o peito doente
A mente clemente sente ardente
Desejo febril de viver em ignorância

É uma ânsia de agonia, que,
Gera náusea e leva ao enjoo,
Gera asco e causa nojo
Vem matar-me mais um pouco

Aos poucos, de novo...

Eu cansei de ser assim
Dizer não pra falar sim
Ser patrão sendo cumim
Sendo vida sem festim

Sem festa pra festim

Desisto de mim.