sexta-feira, 28 de julho de 2017

Quando fecha a porta do trem

Quando eu entro no metrô,
quando fecha a porta do trem,
aí amigo...
Aí que o sentimento vem à tona.
Aí que o pensamento vai à lua,
onde parece ser mais coerente.

Eu meio que me acostumei
ou forcei a mente a acreditar,
vai saber...
Que a vida é isso aí mesmo
que os olhos vêem e os pés pisam.

Mas nós não somos ratos.
Somos menores que eles,
porém mais grandiosos.

No início foi um alívio
sair do antro do complexo,
da poesia que vinha sofrida.
Depois de um tempo senti saudade.
Me achei raso,
marionete do mundo.

A verdade é que os poetas,
os verdadeiros, aqueles que sentem
mesmo que não saibam escrever,
nasceram pra se fuder
e dar cor ao mundo.
Eu não sou poeta,
mas a cor que eu dou é meio cinza.
Meio de céu nublado prestes a chover.
Mas é bonita também, porra!

Voltando ao assunto (se é que há, se é que houve),
eu tô meio mal.
Eu tô meio carente.
Eu to sofrendo pra caramba.
Mas, mal ou bem, isso é sentir.
E isso me leva para aquele lugar,
aquele rombo no espaço-tempo
chamado COMPLEXO.
É como chamamos todo esse
intangível,
paradoxal,
imiscível
lugar-sentido-pensado-inventado
que existe entre o chão e o céu
e não toca o ar.

Somos menores que os ratos,
somos piores que os lobos.
Mais venenosos que a mais peçonhenta serpente.
MAS,
sentimos.
Algo.
Não que seja bom...

Isso tem me salvado
nesses tempos tristes
do pós-amor.
Isso não é pouco.

Termino com uma declaração,
que ainda hoje desmentirei.
E amanhã reafirmarei,
pois é a norma vigente e duradoura do nosso ciclo complexo:

Melhor sofrer
do que não sentir.

Um comentário:

  1. Resposta ao Dr. Carlos:

    Não te julgo.
    Não te julgo, não porque prometi não te julgar.
    Vivemos no mundo das promessas falsas e das palavras ao vento.
    Nada dito pode ser tido como mais que nada.

    Não te julgo, não porque te entendo.
    Não te entendo, nem tento entender (não mais).

    Não te julgo, somente porque sei que sentes.
    Sentir algo, ultimamente, é único pré-requisito para ser humano.
    E mano, tem tanto animal vivendo com a gente.

    Estamos em extremos opostos da mesma linha.
    Linha fina sob a qual tentamos manter o equilíbrio.
    Porque se a gente cair, irmão, já era.
    O resto de sanidade que nos resta evapora.

    Tu extrapolas pro agressivo,
    Eu extrapolo pro depressivo.
    No fundo não estamos buscando mais sentido,
    Apenas equilíbrio.

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