quinta-feira, 8 de julho de 2010

Destilei

Destilei o pensamento; cheguei a angústia. Tudo tem uma natureza, um pai e uma mãe, mas quem são os pais da natureza? Encontrei tudo, todas as respostas, porém esqueci minhas primeiras perguntas...
Destilei a destilação; cheguei a um mistério! Mistério esse que defini mas não entendi; cheguei a angústia.
Destilei a angústia e encontrei sua irmã gêmea: a agonia. Da onde ela vem? Da natureza, dos meus pais, das perguntas, das respostas e da destilação, do tudo e do nada: nada posso pensar, quem dirá entender; resta-me a agonia.

domingo, 4 de julho de 2010

cadê?

Como cansa a ininterrupta busca por explicações...Pergunto-me quando foi que o homem trocou a paz da irracionalidade por este fardo do diabo chamado consciência!
Até algum dia bastava sobreviver. Mas o tempo passou e hoje há uma necessidade de dar sentido a vida; lutamos por uma VIVÊNCIA.
E aqui estou, perdido nos elos do tempo. Impossível conformar-me com a comida que me alimenta ou a meia dúzia de necessidades humanas que me tiram da cama diariamente. Eu não apenas quero mais, eu PRECISO de mais...
Incansável busca de um norte ou algo que o valha para me orientar num universo onde não existe orientação, nao existe destino final. E a tanto tempo procuro, em cada esquina, o imensurável prazer de encontrar o infindável, em meio a realidade paradoxal que molda nossas paredes.
Mas digo: já te achei, só falta você me achar...

sábado, 3 de julho de 2010

Só.

Brócolis. Triste.
Não sei por que é triste, mas é.
Eu e o brócolis, o brócolis e eu.
Eu realmente gosto de brócolis, prefiro no alho, mas também gosto muito com um molho espanhol pouco conhecido chamado pimentón (Esquentado no azeite).
Mas é triste, por que eu gosto de brócolis.
E o brócolis está aqui.
Pena que só ele.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O instante e o caminho.

O instante me seduz, me diz e grita sem piedade, "vem escrever", me sacode, me balança, me chama e me apetece, por mais que os dedos ainda estejam duros do banho frio, a vontade persiste e o desejo mental ganha do emperro físico e me coloca no caminho.
O início.
Guio-me pela inspiração, diga óbvio, digo claro, pergunte por que, respondo não sei.
Guio-me pela inspiração por que é nela que encontro a criatividade (óbvio, claro, porque, não sei), encontro alguma coisa física e espiritual que me faz olhar o papel branco e nele conseguir escrever, não parar no pingo da caneta parada esperando o que já foi perdido e deleitar toda literatura lirista e vocabulária que me pertence (Se estiver fácil de ler, me de um puxão de orelha).
A inspiração que me guiou me atrela em vários sentidos pertinentes à majestosa facilidade de ter em mãos letras cabíveis. A inspiração é nada mais que o contorno dos borros que saem da minha mente e brotam na pena, a inspiração é o prólogo, conteúdo e epílogo da imaginação enquadrada naquele tempo, naquela página, naquele texto, naquela vontade, naquele desejo. Vale dizer que é melhor ainda, quando se encontra numa rara ou não tão rara assim meta linguagem, o desejo de escrever por que se sente desejo pela inspiração que causa desejo.
Envolvido pela inspiração, fluo pelo desenho que minha mão enroscada e contorcida faz pelo papel tentando achar em palavras o estro, que de vez em quando me surpreende na mente e acabo esquecendo o que fazia para poder dar força a lembrança e a imagem que na cabeça toma parte, mas logo voltando às palavras e letras que tanto me acariciam quando preciso de um desabafo.
Um poema não seria o mais plausível, por que sim, quero escrever algo enorme para você, quero te dar o trabalho prazeroso de ler e aproveitar, quero que você se sinta ao me ler, quero que você esqueça do resto quando estiver concentrada nas minhas palavras que sei que só você zela de um jeito respeitoso, quero que você sinta orgulho e felicidade, quero que você encontre você nas minhas palavras, você minha inspiração.
Sinto-me, aliás, traído por sentimentos que bifurcam, não sei se minha inspiração de fato é solene e inteira por você, ou se na verdade é pela falta de você, se é pela saudade que acomete aos poetas e liristas de fracos corações, principalmente daqueles apaixonados que são acometidos pela dor e pelo vício.
Logo é claro que um poema não comprimiria tudo que de fato tenho a lhe proporcionar, só mesmo uma hora e meia, três cafés, duas broncas, uma ida ao banheiro, uma certa vontade de escrever envolto por fumaça, e uma inspiração como a sua poderiam te proporcionar o que eu quero chamar aqui de bruta realidade delicada e letrista, aonde por meio das minhas letras consigo chegar no ponto certo do caminho.
O meio.
Aonde junto na minha panela palavras que acometem a poemas antigos e palavras que são lidas nas manchetes, aonde busco certa secura na melosidade que é a forma de se pronunciar a inspiração, aonde busco no saber e na memória algo que te faça estupefar.
O instante me seduziu e agora me largou, deixou a esmo minha vontade e como um pai que solta o filho depois das primeiras quedas de bicicleta sem rodinha, deixa guiar-me pelo impulso e pelo embalo, agora me sinto melhor para dizer que não necessito de desculpas para escrever o que quiser, para aumentar a velocidade da minha mão, para não ligar pros meus erros ortográficos, para sentir de verdade as letras na minha alma, para sentir que só consigo escrever de tal forma graças as graças da minha inspiração, graças a você.
Você que me produz instantes sedutores, você que me produz embalo para perduração, você que me empurra e grita para eu continuar, você que brota na minha mente e corre nos meus dedos, saindo na forma de palavras o texto que agora escrevo.
Não se sinta diminuída, por favor, seria idiotice comparar você a essas ridículas palavras que nem são tão boas assim, seria blasfêmia comparar sua perfeição a esse amontoado de palavras bem construídas, mas não tão bem utilizadas assim. Apenas verifique que posso escrever páginas e páginas, livros e enciclopédias, se tiver por perto uma inspiração que me acometa e faça fluir pelas páginas como você, perceba que com você posso escrever sem me prender, posso fazer o que mais gosto de forma fácil e prazerosa, graças a você posso desfrutar de deleites literários construídos que a muito eu não me lembrava como era, graças a você meus poemas não são tão ruins, graças a você meus textos estão maiores e melhores, graças a você, me dá graça escrever e chegar em uma parte do caminho que nem me lembro a última vez que cheguei.
O fim.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Só por mentir.

E eu fui contando nos dedos as vezes em que eu estive realmente bem.
A gente se engana, arranja um apoio aqui outro ali para ver se nos sustentamos e acabamos sempre cedendo, no choro, na vergonha ou na cachaça.
Por vezes me perguntei se eu sabia o que era sentir, 17 anos na cara não demonstram tudo o que eu gostaria de saber, e percebo que o que eu sinto é aquilo e raramente fugirá daquelas características, vejo que na verdade estou suscetível a ser operado e manipulado pela vontade de me sentir bem (uma daquelas raras vezes).
Minto, minto muito, posso contar nos dedos as vezes que eu disse que ia parar de fumar e aguentei só por dois dias.
A gente se perde por que se busca demais e não sobra tempo pra poder se perder, e ficamos preocupados, nao durmimos bem, enganamos e trapaceamos, tudo para se livrar de um fardo que no final das contas nem é tão ruim assim.
O pior é o mártir de ter que esconder quando se sente algo por alguém, quando a vontade de um vício é mais forte ou quando queremos simplesmente ficar quietos e esquecer de tudo um pouco por um pouco de tempo.
E o tempo, gerindo as rugas que não tenho e minha idade, verifica o nulo e não se importa, enquanto eu me pergunto se o perco, ou quando me prendo a alguém, ou quando sofro por alguém ou quando não quero ninguém.
Na verdade tempo perdido é tempo escrito. . .

domingo, 27 de junho de 2010

Pós alguma coisa.

As cinco e cinquenta e cinco da manhã no estágio de um pós alguma coisa, remeto-me a tempos longes onde os traumas eram presentes, e vejo que já perdi a muito a calma e o dom.
Foi ferindo almas augustas que não vi que a minha também era, e por ferir sozinho não notei que a minha foi destruída aos montes pelos montes.
São seis e um agora, a hora mudou mas o resto não, meu olho continua caído, meu corpo continua com dor, minha mente continua arrependida e eu continuo triste, triste pois nunca aprendi a perder num jogo que costumava sempre ganhar, me vejo sozinho, solitário, o peso das voltas costuma ser pior do que primeiros baques, e esse foi em cheio.
Parece que sabem que estaremos lá, parece que são macumunadores, que precisam se alentar com o desgosto, parece dor, dor enrustida, parece o medo, na pior forma, parece a insegurança e uma mescla de ódio com vingança, mais parece um circo, todo mundo participa (e quer participar), e eu sou o palhaço.
Seis e oito, hora confusa, não gosto de números pares.
Seis e nove, coração apertado, cabeça doída, nada concreto, nada de fato. Eu não busco nada, acho que só sei isso. Porém é bom pensar que o frio, gelo, geladeira, pedra, frialdade, álgido, insípido, não seja eu por completo, eu gosto de viver, sentir de propósito, mas nada sinto, nada busco.
Seis e treze. Fui durmir.