terça-feira, 21 de novembro de 2017

Mais-valia

Um momento de amor
é suficiente
pra compensar
toda uma existência sofrida.

Um olhar sincero,
coberto pelas estrelas,
sob o cheiro de relva.
Uma brisa que conforta.
Aquele instante perfeito
fez a vida valer a pena.

E mesmo que eu nunca reviva
algo sequer parecido,
que eu padeça
de enormes enfermidades,
tudo vai ter valido
por esse momento
chamado amor.

Ó, Mundo Estranho

Me atormenta nos meus sonhos
ou quando estou só.
A goteira de lágrimas transbordou o balde,
já não é mais possível ignorar.
O buraco no peito.
Ó, mundo estranho,
o buraco no peito é profundo.
Um rasgo
impossível de suturar.
Tento tampá-lo,
mas ele urge.
Inocência achar que um bobo como eu
pode se enganar.

Mas sabe o que me deixa mais triste?
O infinito virar nada.
O tudo virar zero.
Eu não te conhecer mais.
Ó, mundo estranho,
de dor e contemplação.
Como é que pode isso?
Como é que posso me encontrar imóvel?

O buraco no meu peito
afetou as terminações nervosas.
Os neurônios, já afetados.
E desde a triste sepultura
tenho tomado péssimas escolhas.
Tenho medo de que você
não me reconheça mais.
Me conheça pelo que ouve
e não pelo que viveu.
Não é justo
com um criança perdida,
à deriva,
com esse buraco no peito.

A ilusão de que o tempo resolve
não engana
quem valoriza o amor.
Quem sabe que este
é sentimento em extinção.
Façamos o que for possível
para encontrar o equilíbrio
no universo da perdição.
Ó, mundo estranho,
onde pessoas partem
sem se despedir.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Vazio Escondido

Somente quando cai a barreira de aço
que separa meu eu do resto do mundo,
quando cai a última máscara
e surge algo real
a confusão começa a fazer sentido.

Dentro do meu peito existe um buraco
escondido por detrás de 1000 armaduras e fortalezas.
Buraco esse que escondo em cada movimento do meu corpo,
em cada palavra dita pelos meus centenas de personagens.
Lá dentro é escuro e vazio.
Os pou(quíssimos)cos que conhecem acham bonito,
mas é somente verdadeiro.

Há uns 9 ou 10 anos atrás
eu comecei a sofrer muito.
O coração foi maltratado por outros e por si mesmo.
Depois disso ficou difícil não se esconder.
Até alguns anos atrás eu me recordo
de nunca ter dormido pensado ser feliz.
Que doideira.
Mas a razão mundana não conforta a agonia dos loucos;
inconformados e incompreendidos.

Essa noite sonhei com o fim do mundo.
Um céu escuro durante o dia
e raios que destruíam prédios.
Foi uma cena linda,
mas que quase me deixou em prantos.
Eu não queria morrer assim,
me sentindo só e vazio.
O mundo acabando e eu preocupado comigo;
infelizmente sou humano.
E o humano não é mais que gado.
Apesar disso, não sou mais um na boiada.
Talvez, uma ovelha negra em meio as vacas.
Que teima em refletir sobre coisa alguma.

Um tempo atrás caiu um anjo do céu
e pela primeira vez eu dormi feliz,
acordei feliz
e me tornei mais agradecido.
O grande problema é que não se pode depender de anjos.
Não se encontra um em cada esquina
e nem eles são perfeitos.
O desafio agora é encontrar em mim
um rastro de luz no escuro vazio.
E com ele iluminar
os sentimentos, ações e pensamentos.
Aí, quem sabe, tirarei as máscaras e armaduras.
Por enquanto, sigo Dr. Carlos.
O poeta da amargura.
Velho reclamão.
Menino medroso.

Cruzando as esquinas da Matrix.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Servir Felicidade

Missão: Satisfação em Servir Felicidade.

Não sei se foi meu estado mental e emocional em erupção nervosa ou o macarrão quente ebulindo em meu estômago enfermo e medicado, mas ler isso na parede do Spoleto me tirou de mim.

Servir felicidade? Que pretensão audaciosa e, principalmente, falaciosa é essa? Eu entrei triste e saio mais triste ainda. Não tivesse lido isso, estaria igualmente triste, porém alimentado; esse é o problema do mundo.

Inventou-se todo um cenário de imaginação, com amores plenos e felicidades exuberantes. Só se esqueceram de convidar a porra dos mortais aqui. Somos alvejados com expectativas irreais 24 horas por dia. Até no SPOLETO.

Eu estou em uma fase bastante peculiar. Dr. Carlos esteve em coma e acordou no meio do CAÔ MERMÃO. Tá tipo barata tonta, cego em tiroteio. Contudo, foi criado na Acrópole do Século XXI, doutrinado por Teófilo Montanha e, apesar de enferrujado, carrega nas veias as forças necessárias para driblar as bombas morais do mundano.

Hoje o dia começou difícil. Ontem também. E assim vai ser por sabe-se lá quanto tempo, mas nosso papel não é lamentar. Agora, Spoleto vir com papinho de felicidade pra cima de Moi é brincadeira.

Nós, filhotes de um anticristo mulambo e frustrado, frutos de um semi-deus podre e incompetente, temos sim uma missão:

Encontrar o calcanhar de aquiles da Matrix e causar sua implosão.

Vivemos para isso.

O resto, filho.. é o ciclo. Ilusão-desilusão.

Um abrassssss

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A Sepultura

Quando chega a grande hora,
o coração não mais atura.
O homem então chora
na mais bela sepultura.

Ele não quer jogar fora
o que um dia já foi cura,
mas o amor hoje mora
na mais bela sepultura.

Tchau,
foi a última palavra.
Mais impessoal
só um soco na cara.

Ela entendeu tudo errado
desde o primeiro minuto.
Eu fui mal interpretado,
apedrejado e saio puto.
Mas agora tá sepultado!
Que comece nosso luto.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Quando fecha a porta do trem

Quando eu entro no metrô,
quando fecha a porta do trem,
aí amigo...
Aí que o sentimento vem à tona.
Aí que o pensamento vai à lua,
onde parece ser mais coerente.

Eu meio que me acostumei
ou forcei a mente a acreditar,
vai saber...
Que a vida é isso aí mesmo
que os olhos vêem e os pés pisam.

Mas nós não somos ratos.
Somos menores que eles,
porém mais grandiosos.

No início foi um alívio
sair do antro do complexo,
da poesia que vinha sofrida.
Depois de um tempo senti saudade.
Me achei raso,
marionete do mundo.

A verdade é que os poetas,
os verdadeiros, aqueles que sentem
mesmo que não saibam escrever,
nasceram pra se fuder
e dar cor ao mundo.
Eu não sou poeta,
mas a cor que eu dou é meio cinza.
Meio de céu nublado prestes a chover.
Mas é bonita também, porra!

Voltando ao assunto (se é que há, se é que houve),
eu tô meio mal.
Eu tô meio carente.
Eu to sofrendo pra caramba.
Mas, mal ou bem, isso é sentir.
E isso me leva para aquele lugar,
aquele rombo no espaço-tempo
chamado COMPLEXO.
É como chamamos todo esse
intangível,
paradoxal,
imiscível
lugar-sentido-pensado-inventado
que existe entre o chão e o céu
e não toca o ar.

Somos menores que os ratos,
somos piores que os lobos.
Mais venenosos que a mais peçonhenta serpente.
MAS,
sentimos.
Algo.
Não que seja bom...

Isso tem me salvado
nesses tempos tristes
do pós-amor.
Isso não é pouco.

Termino com uma declaração,
que ainda hoje desmentirei.
E amanhã reafirmarei,
pois é a norma vigente e duradoura do nosso ciclo complexo:

Melhor sofrer
do que não sentir.

O Gênio Burro

Me deixa chorar,
pelo menos dessa vez,
sem consolo.
Essa atrocidade
que eu cometi
mas não houve dolo.
Procurar pedaços seus
por aí
é horrível.
Só encontro
o vazio e esse erro
inadmissível.

Eu já não tenho mais
convicção
do que eu fiz.
Me parece que cada decisão
é uma decisão
infeliz.
E não dá para voltar
atrás.

Eu tenho bebido
como um condenado.
Afinal,
não tenho outro remédio.
Pensar é a pior sina,
tem estado tudo médio.

E pela primeira vez
em todo esse tempo
vou me referir
à você.

Sim, é de você que eu
sinto falta.
Da sua voz, do seu tudo.
Mas eu sinto que esses dias
que já viraram mês
foram suficientes
para tornar irreversível.

Mesmo que não tenham sido,
a decisão é sempre infeliz.
Que gênio burro esse Dr. Carlos...

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Você sabe, né?

O que é que dá
essa necessidade de ser
Autodestrutivo?
Contraditório?
Seria simples,
seria fácil
fazer o certo
pra mim e pra você.
Mas tem que sofrer.
É pré-requisito.

Por um tempo
estive reto,
estive calmo,
estive ok.
Ok as vezes é muito.
Você sabe, né?
Ok as vezes é ótimo.

Mas a natureza minha é vil.
É moncosa.
Um lapso no tempo
não é mais que isso.
Um lapso.

A gente tem que se agarrar
à algo
quando vem a Tsunami.
Você sabe, né?
À um tronco firme
algo que sustente.
Mas não é mole.
Eu falando é mole.

As coisas têm sido.
Têm estado.
Não mais que isso.
E eu fico muito confuso.
Esse penar
do pseudo-profundo
é o pior penar.
O penar de quem não esquece as consequências
parecendo inconsequente.
São fantasmas eternos
se acumulando a cada escolha.
Sem julgamento de bom ou mau.
Surgem fantasmas.
Eles me confundem.

À parte isso, vai tudo bem.
Eu me descobri forte.
Resistente.
Já passamos por coisa pior.
Você sabe, né?