segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Vazio Escondido

Somente quando cai a barreira de aço
que separa meu eu do resto do mundo,
quando cai a última máscara
e surge algo real
a confusão começa a fazer sentido.

Dentro do meu peito existe um buraco
escondido por detrás de 1000 armaduras e fortalezas.
Buraco esse que escondo em cada movimento do meu corpo,
em cada palavra dita pelos meus centenas de personagens.
Lá dentro é escuro e vazio.
Os pou(quíssimos)cos que conhecem acham bonito,
mas é somente verdadeiro.

Há uns 9 ou 10 anos atrás
eu comecei a sofrer muito.
O coração foi maltratado por outros e por si mesmo.
Depois disso ficou difícil não se esconder.
Até alguns anos atrás eu me recordo
de nunca ter dormido pensado ser feliz.
Que doideira.
Mas a razão mundana não conforta a agonia dos loucos;
inconformados e incompreendidos.

Essa noite sonhei com o fim do mundo.
Um céu escuro durante o dia
e raios que destruíam prédios.
Foi uma cena linda,
mas que quase me deixou em prantos.
Eu não queria morrer assim,
me sentindo só e vazio.
O mundo acabando e eu preocupado comigo;
infelizmente sou humano.
E o humano não é mais que gado.
Apesar disso, não sou mais um na boiada.
Talvez, uma ovelha negra em meio as vacas.
Que teima em refletir sobre coisa alguma.

Um tempo atrás caiu um anjo do céu
e pela primeira vez eu dormi feliz,
acordei feliz
e me tornei mais agradecido.
O grande problema é que não se pode depender de anjos.
Não se encontra um em cada esquina
e nem eles são perfeitos.
O desafio agora é encontrar em mim
um rastro de luz no escuro vazio.
E com ele iluminar
os sentimentos, ações e pensamentos.
Aí, quem sabe, tirarei as máscaras e armaduras.
Por enquanto, sigo Dr. Carlos.
O poeta da amargura.
Velho reclamão.
Menino medroso.

Cruzando as esquinas da Matrix.

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