Me atormenta nos meus sonhos
ou quando estou só.
A goteira de lágrimas transbordou o balde,
já não é mais possível ignorar.
O buraco no peito.
Ó, mundo estranho,
o buraco no peito é profundo.
Um rasgo
impossível de suturar.
Tento tampá-lo,
mas ele urge.
Inocência achar que um bobo como eu
pode se enganar.
Mas sabe o que me deixa mais triste?
O infinito virar nada.
O tudo virar zero.
Eu não te conhecer mais.
Ó, mundo estranho,
de dor e contemplação.
Como é que pode isso?
Como é que posso me encontrar imóvel?
O buraco no meu peito
afetou as terminações nervosas.
Os neurônios, já afetados.
E desde a triste sepultura
tenho tomado péssimas escolhas.
Tenho medo de que você
não me reconheça mais.
Me conheça pelo que ouve
e não pelo que viveu.
Não é justo
com um criança perdida,
à deriva,
com esse buraco no peito.
A ilusão de que o tempo resolve
não engana
quem valoriza o amor.
Quem sabe que este
é sentimento em extinção.
Façamos o que for possível
para encontrar o equilíbrio
no universo da perdição.
Ó, mundo estranho,
onde pessoas partem
sem se despedir.
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