segunda-feira, 26 de abril de 2021

Memórias

Desde que você se foi
o mundo gira diferente.
O mundo gira indiferente
desde que você partiu.

O mundo gira porque deve,
ou porquê ninguém o ensinou a parar.
Mas é tanto desgosto que em breve
esse mundo há de parar de girar.

O tempo corre acelerado
desde que você partiu.
Mas continuo aqui parado
Indagando (indignado) porquê você sumiu. 

A dor é uma régua
na qual se mede
o tamanho do amor.
E o clamor por uma trégua
é o que pede
o refém da própria dor.
O amor é uma régua
na qual se mede
o tamanho dessa dor.

Memórias que ardem.
Memórias que ferem a carne.
Memórias que humilham, ao afirmar:
"Eu sou passado.
Eu sou eterno.
Eu NUNCA MAIS irei voltar.
E você, seu tolo demagogo,
não foi o melhor enquanto pôde!
NÃO DEU O DEVIDO VALOR!
E HÁ DE SE AFOGAR EM SEU ARREPENDIMENTO!
ELA NÃO VAI VOLTAR
E EU TE SENTENCIO
A ETERNIDADE
com esse vazio no peito,
com esse vazio no andar.
Você há de levantar todos os dias e,
por breves instantes,
você há de sorrir,
mas em todo momento 
eu hei de te lembrar:
Ela não está mais aqui
nem nunca irá voltar."

É isso que minhas memórias me falam,
toda vez que me invadem.
E o plano de fundo da minha mente 
é você.
Esteja destraído ou concentrado,
lá está você.

Essas memórias ardem, me lembrando:
"Foi feliz,
mas foi tão breve...
Você lembra do toque dela?
Quando entrelaçava sua mão?
Ou dizendo que adorava 
te ver bravo?
Ou quando falava
'onde fui amarrar minha égua...'
ou 'não me farraiva não...'.
Eu sei que você se lembra.
Me desculpa, te torturar.
Sei que são palavras em vão.
Mas eu tambem choro e sangro
com essa triste separação."

E eu sinto pena do meu carrasco.
A dor é a régua 
que mede
o tamanho desse meu amor.
Por que você não volta?

Memórias...


Nenhum comentário:

Postar um comentário