sábado, 10 de agosto de 2024

Onde é que reside?

Quando urge
a inexorável necessidade
de escrever. 
De botar para fora.
Onde é que mora
a felicidade?
Onde é que reside
a minha frustração?

Dói ainda mais
devido à incoerência. 
Batalhas maiores 
estão sendo guerreadas.
E até mesmo vencidas.
Por quê,
independente disso,
me sinto assim?

Não é a primeira vez, 
mas sempre parecer ser.
Que coisa, rapaz!
Escrevi algum tempo atrás. 
E agora, novamente, me assola.

Hoje não tem futuro.
Amanhã não tem presente.
Ontem, havia um muro.
Sempre confusa a mente.
Tateia no fundo escuro
a buscar o que se sente.
Treva.

O que será
que pode me animar?
Acho que desaprendi
a sonhar. 
Que lástima. 
Eu afirmo à mim mesmo
que está tudo bem. 
São só as flechas do destino.
A correnteza há de levar.
Não há mais em mim
Espírito de menino. 
Só um homem de barro
a desmoronar.

A chuva dantesca
sempre existiu.
Antigamente,
só era mais fácil se secar. 
Tudo denovo e denovo...
Mas com menos poesia no olhar.
Dói. 

terça-feira, 18 de maio de 2021

Human Being

 The          one          who          was
                HURT
           apologizes          for 
           being honest.
           Being human.
           Human being:
the only massive body
that has touched the
                                          DEVIL.

Figurante

Nessa vida,
todos à minha volta creem ser protagonistas. Menos eu. Sei que sou um figurante, lá no fundo da tela, por vinte conto e um pão com mortadela.

Óh, sonhos! São vocês o motor da vida, não? Os responsáveis pelo movimentos dos ponteiros dos relógios. São vocês, também, a pá que cava o buraco onde descansarei em paz (?).

O amor, se é que existe, não exclui defeitos. Não clama por mudanças. INCONDICIONAL. Se depender do mundo, ficará sempre no plano das idéias.

É meu pai, tenho visto que não tenho sido justo. Estou sempre a cobrar. Estou sempre sendo cobrado. A segunda parte não posso mudar, mas a primeira é simples. Seja como és, com todos seus defeitos, porque realmente não me importo. Ninguém é senhor de si, quanto mais senhor dos outros. E quanto aos dedos à mim apontados, nada mais farei senão relevar. Não porque sou superior, mas porque já entendi que pouco desse mundo depende de mim. O planeta terra é irrelevante, tanto quanto minhas insignificâncias. Isso é amar.

Dualidade Partícula-Onda

Acho que Deus apareceria para mim, se não soubesse que sou tão linguarudo. Se não soubesse que sou tão volátil. Dualidade partícula-onda. Espero o dia que serei partículas, átomos coesos, que coesos entre si, formarão moléculas. Até onde sei, nasci onda, e assim venho oscilando. Certeza não existe, e, portanto, nada é inteiro ou íntegro. Nem mesmo minha poesia. (?) [E será que um dia fiz poesia?]

O problema da matéria é querer (sob nossa perspectiva de ser vivo caminhando para a morte) ser tudo. Quando, na verdade, é quase nada. É apenas "algo". Como quase todo o resto. Como os nomes, sobrenomes, sentimentos. Passado, presente e futuro. Quase todo o resto, mas não todo. 

Busco a centelha que me falta brotar para enxergar o absoluto. Centelha essa que não é amor, não é poder, não é sorriso. É algo que ainda não sei dizer, não sei sentir e não sei nem se existe. Mas para mim, DEVE existir para que a teoria bata com a prática, para que a equação esteja em equilbrio. 

330. Veio até mim e ainda não disse nada. Assim tem sido (sempre). Lei da permanência, filho de Heráclito.

Preciso dizer não ao sim.
Preciso dizer sim ao talvez.
Preciso dizer não ao tempo.
Mas só daqui a um mês.
Preciso demonstrar a razão.
1 + 1 = 3.
Perdido: sou uma fração
me dividi e perdi a vez.
Perdi também a noção;
não fui eu quem criou as leis.
Viva a nossa nação!
Mendigos alimentam os reis.
D23 avisou:
1 + 1 = 3.

Hilário Fernandes.

Hilário Fernandes.
Pegou o 569 e foi para o Rio-Sul. Tomou no cú. E aprendeu: nessa terra o malandro morre mudo. A verdade não tem graça. E a piada é mentira.

Será que faz tanto sentido assim? Eu não distinguo o amor do câncer. Singelos nomes no mundo dos mortais. Nem o sol é mais dos deuses, Hilário Fernandes.

Entorpecido está o menino, nunca virará homem. Diferentes são o alívio e o "dar uma aliviada". A vida é mortal. O dia um portal. Pra lugar nenhum.

Going to california with an aching in my heart, Hilário Fernandes. Tu não és mais que pele, que cobre músculos. Tu não és mais que carne, banhada em sangue. Tu não és mais do que o medo do fim. E, antes disso, o medo do fim sem um meio. O medo do salto. Tu não é mais que suor frio, que vontade quente de alguém explorar. 

Sofrível ser pensante: viu que nossa prisão não tem grades, não tem chave. Sofrível poeta que és, Hilário Fernandes... Triste missão lhe foi concebida: revelar aos mortais tantas verdades. Sabendo tão pouco, de poucos idiomas. Que pena, Hilário Fernandes; sofres sem ser triste. Sabes bem o que existe e o que inexiste. Não juras falsa saudade. Não expões o que é interno, nem esconde o que é externo. Sabes com maliciosa precisão que a morte é ilusão proporcional à vida. É, Hilário Fernandes, tomaste no cú... Dentre todos, és o único que não é filho de Deus.

A velha profecia: o sábio viria ao mundo bastardo, seria ignorado e não faria diferença. No mundo em que ninguém é, Hilário Fernandes consegue ser. Mas está sozinho. Bebe um copo de vinho e fica a observar a eternindade. Gran Fatalidade, ouviu um Pink Floyd e esboçou um sorriso. E assim tem sido. A verdade nunca mereceu um elogio.  

A CONSTANTE DE MECLER

 O PASSADO
      MAL-PASSADO
        ME LEMBRA VOCÊ.
    QUE MERDA;
            JÁ TINHA PARADO DE DOER.

PIOR AINDA; NÃO É EGO.
                         NÃO É BOBO.
É SÓBRIO.
    A CONSTANTE DE MECLER
É O QUE DESEQUILIBRA A EQUAÇÃO.
TENDE PARA UM LADO.
    QUEBRA A IGUALDADE.

NÃO TENHO MAIS, SE NÃO, SENTIMENTOS PODRES. A DOR É LIMPA.
                MAS É DOR.

O Motor

Heisenberg já dizia:
só se encontra a primazia
de peito aberto.
O homem vive na toca,
vive encolhido.
Já acorda adormecido.

"
   -------------
                        "

Meio frustrado, sem razão pontual, pois os motivos da dor são quase contínuos. Coisas materiais pouco importam, mas a carne cansada e esquecida agoniza o cérebro. Libera do sarcófago sentimentos incólumes.

Serei sempre agradecido, não posso me dizer triste. Me direi apenas sozinho, uma vez que é fato. Problema mesmo é a indecisão: os olhos veem tudo mudar a todo instante, mas a alma sente o mundo permanente. E a alma é sábia e eu queria mudar, mas não consigo crer nos olhos; há tempos não escrevo, pois não lembrava do meu motor: os paradoxos. Vejo um. Vivo um. Sou um. Nesse momento, sinto saudade demagôga. Lembrarei de respirar. Adeus.