terça-feira, 18 de maio de 2021

Hilário Fernandes.

Hilário Fernandes.
Pegou o 569 e foi para o Rio-Sul. Tomou no cú. E aprendeu: nessa terra o malandro morre mudo. A verdade não tem graça. E a piada é mentira.

Será que faz tanto sentido assim? Eu não distinguo o amor do câncer. Singelos nomes no mundo dos mortais. Nem o sol é mais dos deuses, Hilário Fernandes.

Entorpecido está o menino, nunca virará homem. Diferentes são o alívio e o "dar uma aliviada". A vida é mortal. O dia um portal. Pra lugar nenhum.

Going to california with an aching in my heart, Hilário Fernandes. Tu não és mais que pele, que cobre músculos. Tu não és mais que carne, banhada em sangue. Tu não és mais do que o medo do fim. E, antes disso, o medo do fim sem um meio. O medo do salto. Tu não é mais que suor frio, que vontade quente de alguém explorar. 

Sofrível ser pensante: viu que nossa prisão não tem grades, não tem chave. Sofrível poeta que és, Hilário Fernandes... Triste missão lhe foi concebida: revelar aos mortais tantas verdades. Sabendo tão pouco, de poucos idiomas. Que pena, Hilário Fernandes; sofres sem ser triste. Sabes bem o que existe e o que inexiste. Não juras falsa saudade. Não expões o que é interno, nem esconde o que é externo. Sabes com maliciosa precisão que a morte é ilusão proporcional à vida. É, Hilário Fernandes, tomaste no cú... Dentre todos, és o único que não é filho de Deus.

A velha profecia: o sábio viria ao mundo bastardo, seria ignorado e não faria diferença. No mundo em que ninguém é, Hilário Fernandes consegue ser. Mas está sozinho. Bebe um copo de vinho e fica a observar a eternindade. Gran Fatalidade, ouviu um Pink Floyd e esboçou um sorriso. E assim tem sido. A verdade nunca mereceu um elogio.  

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